O que você precisa saber sobre Fluxo Digital em odontologia
A alteração na forma de moldar a arcada dentária e os materiais utilizados, tiveram diversas alterações e melhorias, melhorando a forma de tratar os pacientes.
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A forma de tratar os pacientes odontológicos mudou muito nos últimos anos — isso não dá para negar. Prova disso é a alteração na forma de moldar a arcada dentária e os materiais utilizados para isso, dois aspectos que tiveram diversas alterações e melhorias.

Sendo assim, se antes tudo envolvia um processo mais lento e burocrático, hoje, tudo pode ser feito com facilidade e velocidade por meio do fluxo digital em odontologia. Ficou curioso e quer entender um pouco mais sobre o tema? Então, leia este artigo completo até o final e entenda como ele revolucionou a indústria odontológica. Vamos lá?

O processo de moldagem

Embora o fluxo digital em odontologia tenha arrebatado corações nos últimos anos, ele nem sempre foi uma opção disponível. Por muito tempo, a alternativa mais comum para muitos dentistas envolvia a modelagem com gesso (e você provavelmente já trabalhou com esse modelo).

Para quem não sabe, a moldagem foi introduzida na odontologia para copiar as características da cavidade bucal e reproduzir os tecidos moles e duros da boca. Isso permitiu ao especialista estudar a boca por meio de modelos em gesso e, considerando a peculiaridade de cada paciente, criar soluções melhores para cada pessoa.

No entanto, o desconforto do paciente com o processo é apontado como um ponto de atenção há anos. Nada mais natural, já que não é mesmo legal ficar com a moldeira na boca e ainda sem poder se mexer por algum tempo. Isso sem contar com a possibilidade alta de erros que podem distorcer e comprometer o modelo.

Somado a isso, o tempo clínico e laboratorial dispendido e a desinfecção dos moldes ainda são pontos negativos da moldagem tradicional com materiais de impressão.

Alteração do físico para o digital

A modelagem tradicional (modelo que compartilhamos acima) ainda tem muita força e segue como o tipo mais comum nos principais consultórios ao redor do país. Ainda assim, muitas pessoas sabem que esse método conta com alguns problemas rotineiros, principalmente caso o dentista não molde adequadamente ou, ainda, não utilize os materiais de acordo com o recomendado.

Nesses casos, quando o material ficar pronto pode ser que ele tenha bolhas e alterações dimensionais naturais de alguns materiais de impressão, como os alginatos. Por essas e outras, a fidelidade de cópia e facilidade da impressão são motivos de constante interesse dos dentistas para que ocorram melhorias — um ponto que impulsionou o Fluxo Digital em odontologia nos últimos anos.

Ainda assim, o seu desenvolvimento não foi nada fácil. Tudo começou a ser possível por meio de novas tecnologias de escaneamento intraoral que permitiu a criação de sistemas de moldagem digital. Somente depois disso, foi possível evoluir para um novo método de moldagem.

Ele foi criado baseado em sistemas de criação e produção de moldes de forma auxiliada por computador. A ideia era imprimir modelos tridimensionais com alta fidelidade de cópia e riqueza de detalhes (Figura 1), dois aspectos que fazem toda diferença nos resultados obtidos.

O que é o fluxo digital em odontologia

Bem, depois de entender um pouco melhor como as transformações foram acontecendo, pode ser que você esteja se perguntando do que exatamente se trata do fluxo digital em odontologia. Como adiantamos, ele trata-se de uma revolução dos processos tradicionais por meio de tecnologias inovadoras.

O seu principal objetivo é realizar o diagnóstico de problemas bucais e seu posterior tratamento por meio de um software moderno que permite que tudo aconteça de maneira 100% digital. Portanto, se você está se perguntando como isso é possível, não se preocupe, pois vamos explicar.

Os registros do paciente são feitos por meio de um scanner intraoral que faz todo o registro da estrutura da boca de forma detalhada, precisa e em 3D. Nesse tempo, para criar o famoso fluxo digital, o escaneamento deve ser feito de maneira completa e, se possível, contar com a ajuda da tomografia computadorizada de feixes cônicos.

Engana-se quem pensa que depois disso o processo é finalizado. A tecnologia continua sendo explorada de forma consistente para trazer também uma solução altamente de alto nível para o paciente. Para isso, o processo adota o uso de softwares para auxiliar no planejamento do tratamento, bem como impressoras 3D ou sistemas de fresagem e usinagem de cerâmicas.

Elas são utilizadas para produzirem prototipagens que permitem a produção de modelos, guias cirúrgicos, restaurações ou próteses provisórias e definitivas. Impressionante, não é mesmo?

Os processos de automação

Tudo isso é feito por dois processos muito comuns (e muito falados na área odontológica). Portanto, se você pensa em adotar o método, então, é bom se familiarizar com cada um deles: CAD e CAM.

Embora as siglas soem um pouco confusas em um primeiro momento, elas resumem os nomes dos processos. O termo CAD, por exemplo, é uma abreviação de Computer Aided Design e CAM significa Computer Aided Milling.

Mas se você não entende muito de inglês, não se preocupe! O CAD é designado para se referir à criação e análise por computador, enquanto o CAM está mais relacionado à produção que é comandada pelo computador (como a fresagem e usinagem). A ideia é explorar essas facilidades para realizar os desenhos e manufatura de moldes, lâminas, ferramentas e, até mesmo, fabricação de próteses dentárias.

É isso mesmo: por meio delas os dentistas conseguem realizar o desenho de próteses no computador e, em seguida, enviar comandos que vão transformar isso em uma prótese pronta para ser colocada com precisão na boca do paciente.

A impressão 3D para prototipagem também pode ser feita após escaneamento intraoral da cavidade, permitindo um fluxo de trabalho muito mais fácil e em curto espaço de tempo.

O Escaneamento

O scanner é o equipamento utilizado para obtenção e transmissão das imagens da arcada dentária para o computador. O processo é bastante simples e semelhante a digitalização de um documento.

De uma forma geral, três etapas básicas compõem um sistema CAD/CAM: a digitalização, o desenho e a produção. Dependendo da finalidade e/ou do tipo de tratamento, essas etapas podem variar. Em alguns casos, a produção do modelo ou prototipagem não é a finalidade do processo em si, mas, sim, o planejamento digital.

No processo de digitalização, as características orais são captadas em boca (diretos) ou em modelo de gesso do paciente (indiretos). No método direto não é necessário moldar o paciente, já que essa etapa é substituída pelo escaneamento das superfícies dentais com um scanner de mão.

Como você deve imaginar, esse método é mais simples e simultaneamente o modelo é criado na tela do computador, sendo assim, já pode ser usado para o planejamento e confecção da prótese ou prototipagem.

Essas são maneiras de eliminar duas etapas da impressão convencional: a obtenção do molde e preparação do modelo de trabalho. Não é necessário a seleção de moldeiras e não há incômodo e desconforto para o paciente, que sente náuseas pelo extravasamento dos materiais de moldagem ou queixa de gosto desagradável. Como adiantamos, essas mudanças são muito bem-vistas.

Há ainda maior facilidade dos modelos digitais para articulação, o que simplifica a etapa de articular as arcadas e reconstruir a mordida do paciente. Após o escaneamento do arco superior e inferior, o paciente oclui os dentes para registrar a relação de mordida, e o sistema do computador articula os dois arcos a partir da digitalização da oclusão.

E tem mais: é bom lembrar que os dados criados pelos modelos digitais podem ser armazenados em discos rígidos ou na nuvem, sendo facilmente transferidos para mídias de armazenamentos (pendrives, CD’s, DVD’s).

Os resultados

De maneira geral, os estudos relatam que as imagens obtidas pelo escaneamento são precisas, e a fidelidade de cópia pode ser influenciada pela habilidade do operador, tipo de equipamento utilizado e por aspectos de cada paciente (como tamanho dos arcos, presença excessiva de saliva, movimentação durante o processo de escaneamento).

Alguns sistemas de escaneamento diretos podem sofrer com o reflexo das superfícies, o que impossibilita a correta digitalização das superfícies dentais. Dessa forma, pode ser necessário utilizar um spray de dióxido de titânio nos dentes para promover opacidade e permitir a digitalização das superfícies e dos preparos.

Somado a isso, o escaneamento intraoral usualmente é feito apenas nas superfícies dentais e, em alguns casos, o uso de Tomografia Computadorizada pode auxiliar na obtenção de registros digitais da condição óssea do paciente, por exemplo.

O sistema direto ou scanner intraoral para uso clínico disponibiliza um dispositivo de mão com uma ponta que projeta uma luz ou um laser que captura pontos diretamente na boca. O princípio técnico para realizar o escaneamento é baseado em três métodos de captura de imagem que incluem a triangulação, a imagem confocal e a amostragem de frente de onda ativa.

Os sistemas mais conhecidos de scanner são o CEREC (da Sirona), o Itero (da CADENT) e Lava COS (da 3M ESPE).

O Planejamento

Depois da digitalização das arcadas dentárias, o dentista pode planejar o caso digitalmente da maneira que preferir, seja para prototipagem, confecção de um guia cirúrgico, confecção de próteses dentais e outros.

Geralmente, o escaneamento intraoral gera um arquivo no formato STL, e a tomografia computadorizada arquivos no formato DICOM. Os programas utilizados apresentam diversas ferramentas de criação, como o Blue Sky Plan, que permite trabalhar com arquivos tanto no formato STL quanto DICOM.

Dessa forma, o Fluxo Digital em odontologia permite obter um ambiente de trabalho ilimitado, sendo possível delimitar o término cervical do preparo, definir os limites proximais da prótese, realizar ajustes de tamanho e contato oclusal com o dente antagonista, planejar guias cirúrgicos, realizar a prototipagem e impressão 3D das arcadas (Figura 2), entre outros.

Os benefícios da prática

Caso você ainda não esteja muito convencido sobre os benefícios que o novo modelo pode trazer, conheça alguns que elencamos para você.

Aperfeiçoamento do trabalho do dentista

A automatização tem um papel muito relevante no trabalho de aperfeiçoar o trabalho do dentista. Como ajuda a eliminar falhas, abandonar erros de processo e, de quebra, diminuir o desconforto dos pacientes, não dá para negar que ela torna tudo mais fácil.

Isso tudo sem contar que ainda aumenta consideravelmente a durabilidade das próteses. Esse aspecto é um reflexo da precisão técnica que diminui as chances de o paciente quebrar ou perder as próteses ao longo da vida.

Aceitabilidade de muitos materiais pelo sistema

O sistema conta com outra facilidade significativa: ele aceita uma variedade de matérias, como a zircônia, cerâmica feldspática, PMMA para provisórios, cerâmicas híbridas, metal pré-sinterizado e outros.

Esse ponto pode soar despretensioso, mas ajuda muito os profissionais. Isso porque assim fica mais fácil oferecer valores que caibam no orçamento e garantam a durabilidade e qualidade que eles esperavam. Convenhamos: um aspecto muito importante!

Maior facilidade de manipulação da imagem

Além disso, o Fluxo Digital em odontologia apresenta maior facilidade na manipulação da imagem para planejamento do caso, o que pode auxiliar a alcançar uma maior previsibilidade dos tratamentos. Atualmente, diversas clínicas de radiologia e tomografia já realizam o escaneamento e digitalização da cavidade bucal.

Novo posicionamento da clínica perante o mercado

A clínica também pode ser facilmente levada a outro patamar quando adota práticas como essa. Não dá para negar que ela mostra que está antenada para as inovações de mercado, aberta a investir e focada em oferecer sempre uma melhor experiência para o paciente.

Clareza do tratamento para o paciente

Pois bem, se você sofre com alguns pacientes que ficam surpresos com o resultado do tratamento, então vai achar essa vantagem fantástica. Como as imagens 3D têm um alto grau de detalhamento, ele consegue visualizar de forma dinâmica tudo que será feito.

Além disso, esse ponto ajuda no aumento da confiança e estreita a relação entre dentista e paciente. O profissional não precisa investir muito em comunicação, pois as ferramentas permitem impressões, planejamento e avaliação do paciente.

Mais facilidade na transmissão de dados

Você precisa compartilhar informações de determinado paciente com outro profissional ou laboratório? Nesse caso, é bom saber que tudo fica mais fácil dessa forma também!

Depois de entender um pouco melhor como o fluxo digital em odontologia pode trazer ótimos resultados, não deixe de considerar essa alternativa para o seu consultório. Você vai perceber que fica bem mais fácil encantar os clientes e promover um trabalho mais preciso.

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SAC Yller

Equipe de Atendimento da Yller

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